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:: MENINGITE: CUIDADOS PARA UMA PRONTA REACÇÃO Todos os anos, ouvimos falar de histórias destas nos colégios dos nossos filhos. E daí a preocupação legítima. Um caso de meningite significa tratar de muitas pessoas. Só assim se controla uma epidemia, mais ou menos grave... mas sempre contagiosa. Comecemos por um facto indesmentível: a simples referência à meningite aterroriza as pessoas, em particular os pais, já que se pode espalhar muito rapidamente numa escola. Há várias razões para que isto aconteça: primeiro, porque é uma doença que atinge sobretudo crianças, depois, porque é fortemente contagiosa e, finalmente, porque, em caso de tratamento insuficiente, pode ser mortal. Mas, na verdade, existem várias espécies de meningite mais ou menos graves. A infecção é provocada por um vírus ou uma bactéria que proliferam no líquido cefalorraquidiano que irriga o cérebro, protegendo-o e alimentando-o. Quando este líquido é invadido pelos germes, a infecção atinge rapidamente as meninges, ou seja as membranas que envolvem inteiramente o cérebro. Os primeiros sinais da doença surgem de uma maneira brutal: a pessoa não suporta a luz, tem febre, dores de cabeça, a nuca rígida e vomita. Por vezes, é acompanhada por púrpura, manchas cutâneas (vermelho-vivas ou violáceas), características de uma infecção meningocócica. Logo que surgem os sintomas, não há que hesitar em consultar o médico o mais rapidamente possível. Somente uma punção lombar pode designar o agente responsável pela doença, uma informação capital que vai determinar o tratamento. É um exame que se pratica no hospital, por meio de uma agulha introduzida entre duas vértebras para recolher algumas gotas do líquido céfalo-raquidiano. A análise, cujo resultado se obtém em cerca de uma hora, indica o vírus ou a bactéria que estão na origem da doença. Viral ou bacteriana? As meningites virais são muito frequentes na aproximação do tempo quente e são benignas na maioria dos casos. Muitas vezes, os jornais nem se chegam a dar conta de autênticos surtos epidémicos. Os antibióticos não têm qualquer eficácia contra os vírus. Nestes casos, as autoridades sanitárias costumam simplesmente recomendar às famílias e às comunidades o cumprimento de simples regras de higiene - lavar as mãos com frequência, por exemplo - a fim de evitar a transmissão do vírus. As meningites bacterianas ocorrem principalmente no Inverno e são bem mais perigosas do que as de origem viral. De qualquer maneira, a situação difere segundo o germe responsável. Durante muito tempo, a meningite provocada pela Haemophilus influenzae foi extremamente frequente entre as crianças com menos de 5 anos. Desde a comercialização, em meados dos anos 90, de uma vacina, quase desapareceu. Pelo contrário, as meningites provocadas pelo meningococo A, B ou C (designados como cerebrospinais) continuam a ser muito preocupantes. No entanto, o meningococo A mostra tendências a desaparecer, enquanto o B mantém grande incidência, praticamente o triplo do C. Há já uma vacina preventiva contra os meningococos A e C, mas apenas se mostra eficaz nas crianças com mais de dois anos e nos adultos. Não há ainda qualquer vacina contra o meningococo B, o mais frequente. Tratamento antibiótico Todas as meningites provocadas por meningococos exigem tratamento o mais rapidamente possível por meio de antibióticos, pois, em cerca de 20 por cento dos casos, deixam sequelas neurológicas consideráveis (surdez, perturbações mentais...). E são mortais em dez por cento dos casos! A promiscuidade e as deficientes condições de higiene favorecem o contágio que se realiza por meio de escarros, da saliva ou dos espirros. O meningococo alojado na faringe passa facilmente de pessoa para pessoa. Para impedir a eclosão de uma epidemia, torna-se imperioso tratar não apenas o doente, mas todos aqueles que com ele têm contacto habitual. Os serviços médicos procurarão localizar as pessoas que estiveram em contacto com o doente, a fim de lhes administrar um tratamento antibiótico preventivo. Estão nestas condições todos os indivíduos que tiveram um contacto próximo com o doente durante mais de seis horas e todos os que vivem sob o mesmo tecto. Ir mais longe, por exemplo, alargar o tratamento a todos os alunos de uma escola, parece desproporcionado, já que o consumo excessivo e muito frequente de antibióticos cria resistências e diminui a sua eficácia. Com o correr do tempo, o pneumococo responsável pela terceira família de meningites bacterianas, tornou-se muito resistente aos antibióticos. E é uma bactéria com actuação corrente, pois é responsável não só pelas meningites, como ainda por pneumonias e otites. As crianças que vivem em colectividade são particularmente expostas. Se os seus ouvidos são deficientemente cuidados do ponto de vista higiénico, o germe tem todas as possibilidades de migrar para as meninges. O problema é que, a cada recidiva, as crianças recebem uma nova dose de antibióticos, o que vai acentuar ainda mais o fenómeno da resistência. O mesmo acontece em relação aos adultos, em particular entre os idosos, muito sensíveis aos pneumococos. A vacina está próxima Sessenta por cento dos doentes atingidos pela meningite pneumocócica curam-se sem problemas posteriores, mas um terço ficará com importantes sequelas (surdez, atraso mental, epilepsia...), mas a doença é mortal em 10 por cento dos casos e particularmente perigosa para as pessoas de idade. Uma vacina eficaz logo desde as primeiras semanas de vida está já a ser comercializada nos Estados Unidos e deverá, em breve, ser divulgada na Europa. Um possível problema é que se prevê um preço elevado para cada dose e são necessárias três doses para vacinar um bebé. Um outro problema é não estar ainda provada a sua eficácia nos adultos. Texto retirado de ANF-Consulte o seu Farmaceutico
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