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:: BRONQUIOLITE, A “EPIDEMIA” DOS INFANTÁRIOS Artigo da revista Farmácia Saúde do número 64 de Janeiro de 2002 A culpa não é das creches e infantários, mas é verdade que as crianças que os frequentam têm mais probabilidade de ser contaminadas pelo vírus da bronquiolite. E isso devido ao elevado grau de contágio da doença, que afecta sobretudo meninos e meninas até um ano de idade. Não é uma doença exclusiva das crianças, mas manifesta-se sobretudo nos primeiros anos de vida, com maior incidência entre os seis e os doze meses. Por isso, quase todos os pais conhecem bem os sintomas da bronquiolite, uma doença que se propaga com muita facilidade e que encontra nas creches e infantários o terreno mais fértil para a sua disseminação. Onde há muitos meninos, o mais certo é aparecer o vírus da bronquiolite. O VRS – Vírus Respiratório Sincícial é o principal implicado na bronquiolite, cujos sintomas se confundem com os da gripe. Declara-se com mais frequência nos meses de Inverno e a ele se devem boa parte das hospitalizações infantis nesta época do ano. Não há bactérias que causem esta doença, muito embora também haja semelhanças com a broncopneumonia bacteriana. Trata-se de uma doença muito comum do aparelho respiratório dos lactentes que produz uma inflamação dos bronquíolos, centrada na mucosa interna destes canais respiratórios. Inflamados, os bronquíolos ficam mais estreitos e produzem grandes quantidades de secreções, o que aumenta ainda mais a obstrução. A circulação do ar entre o nariz e os alvéolos torna-se, assim, uma missão dolorosa. Está-se então perante um quadro de insuficiência respiratória, caracterizado pela escassez de oxigénio no sangue e o respectivo aumento do anidrido carbónico. Uma luta de gatos no peito A doença manifesta-se após o contacto da criança com outras já com sintomas da infecção respiratória. Os primeiros sinais confundem-se com os da constipação e da gripe: secreção nasal, tosse, alguma febre. Alguns dias depois, a criança fica claramente prostrada e sem apetite, a febre pode elevar-se (ainda que não seja um sintoma comum a todos os casos de bronquiolite). Progressivamente, surge a dificuldade respiratória, a pieira. É como se no peito da criança se travasse uma luta de gatos, perfeitamente audível. Respirar torna-se penoso, o que interfere com a alimentação. Com o aumento da obstrução dos canais respiratórios, pode aparecer uma coloração azulada nos lábios, a chamada cianose, um indicador da menor quantidade de oxigénio no sangue. A etapa mais crítica são as primeiras 48 a 72 horas desde que se declaram as dificuldades respiratórias. Dez a quinze dias depois, os sintomas costumam desaparecer. No intervalo, o tratamento faz-se à base de antipiréticos (para baixar a febre) acompanhados de bastante ingestão de líquidos (apesar da falta de apetite). Em regra não são prescritos antibióticos, já que a bronquiolite tem uma origem viral. O grande alívio é dado pelos aerossóis, já que contribuem para diminuir a contrição dos bronquíolos e a produção de secreções. A humidificação das vias aéreas – é disso que se trata – pode perfeitamente ser feita em casa, fazendo vapores na casa de banho (enche-se a banheira de água quente e deixa-a a criança respirar o vapor) ou utilizando um aparelho próprio, o nebulizador. Quando as secreções se concentram em excesso e a criança, dada a imaturidade do seu organismo, não as consegue expelir, pode haver necessidade de recorrer à cinesioterapia. Mediante esta técnica, o tórax é massajado e friccionado por forma a libertar as secreções, que acabam por ser eliminadas com as fezes. Em casos mais graves pode haver lugar a hospitalização para receber oxigénio. Bebés de risco Na maioria das vezes, a bronquiolite é benigna, passando sem deixar marcas. Mas há bebés mais vulneráveis e que, por isso, exigem uma atenção redobrada. É o caso dos menores de três meses ou dos que nasceram prematuros. E dos que sofrem já de insuficiências respiratórias ou cardíacas, que devem ser hospitalizados para uma vigilância e cuidados adequados. Aliás, a bronquiolite é uma das principais causas de internamento infantil, sobretudo no Inverno. Não há propriamente crianças mais predispostas, mas a verdade é que aquelas que não foram amamentadas ao peito têm menos defesas. As que frequentam creches e infantários também, dado que convivem com muitas outras crianças, o que aumenta as probabilidades de contágio. Filhos de pais fumadores são igualmente mais vulneráveis, o mesmo acontecendo com as crianças que são levadas com frequência para ambientes fechados e com ventilação artificial (ar condicionado), como centros comerciais. Dado o elevado grau de contágio, há alguns cuidados que os adultos devem ter, de modo a preservar os mais pequenos. Assim, devem evitar o contacto da criança com pessoas constipadas, devem lavar adequadamente as mãos, sobretudo depois de assoar o nariz, rejeitar lenços de papel usados. Espirrar ou tossir longe da criança é obrigatório, se bem que não seja 100% seguro contra a transmissão do vírus. É que o ar dá boleia à mais pequenina gota de saliva ou secreção nasal.
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